Ano de 1819 lembra o ato formal de fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém

Imagem: reprodução arquivo histórico "Tropeirismo no Paraná"

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GUARAPUAVA
EM 3 TEMPOS

A história da conquista, povoamento e fundação da cidade de Guarapuava está ancorada em três datas: 

– 1772 Quando o tenente-coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza aportou nas terras habitadas pelos índios caingangues (mais tarde, Guarapuava), em expedição pela Região do Tibagi, dentro da política expansionista da Coroa Portuguesa; 

 

– 1810 Chegada da Real Expedição Colonizadora, também a mando da Coroa Portuguesa (d. João VI), para povoar os campos de Guarapuava e assegurar a Portugal as terras conquistadas da Espanha no Tratado de Madri. O grupo era composto por 300 pessoas, sob o comando do coronel Diogo Pinto de Azevedo Portugal, tenente Antônio da Rocha Loures e o padre-capelão Francisco das Chagas Lima (Padre Chagas). A partir daqui, teve início a formação do que Guarapuava é hoje; 

 

– 1819 Assinatura do ato formal da fundação de Guarapuava, elevando-a à categoria de Freguesia de Nossa Senhora de Belém. Foi o início da formação da cidade, transferindo do antigo povoado – nos arredores do Fortim Atalaia (no atual distrito de Palmeirinha), onde os brancos iniciaram o processo de colonização dos indígenas – para o local onde hoje se encontra a Praça 9 de Dezembro e a Catedral/Santuário Nossa Senhora de Belém. O ato foi assinado pelo Padre Chagas e pelo tenente Rocha Loures (o coronel Diogo Pinto de Azevedo Portugal deixou a colônia).  

As comemorações de 9 de dezembro, data mais tradicional do aniversário de Guarapuava, são alusivas ao dia e ano que a cidade colocou em prática o seu ato formal de fundação, em 1819, sendo reconhecida como Freguesia de Nossa Senhora de Belém.

 

Coube ao padre Francisco das Chagas Lima e ao tenente Antônio da Rocha Loures a execução do formal, criado um ano antes (1818) por Joaquim José de Marçal, com base na Carta Régia  do Conde de Linhares, definida em 1º de abril de 1809, época em que a Real Expedição Colonizadora deixou Curitiba rumo ao Sertão do Tibagi, mais tarde Campos do Atalaia, as primeiras denominações com as quais Guarapuava era no início conhecida.

A Carta Régia era o regulamento da Real Expedição Colonizadora, os ditames que serviram ao exército comandado por Diogo Pinto de Azevedo Portugal para conter os "índios selvagens" que viviam no Terceiro Planalto, e, também, como deveria ser organizada a futura Freguesia e Vila de Nossa Senhora de Belém, nomes da localidade até ser oficialmente chamada de cidade de Guarapuava. 

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Os dois primeiros ciclos econômicos de Guarapuava, o da erva-mate (acima, imagem do livro "Erva-mate, seus encantos e desencantos", de Humberto Antunes de Oliveira), e o do gado (cartão-postal de 1908, mostra a travessia pelo Rio Iguaçu). 

O começo da organização urbana da Guarapuava de hoje

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Primeiro mapa de Guarapuava, com território de 175.000 quilômetros quadrados

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Foto de 1925, em Guarapuava, onde hoje está instalada a Vila Militar, entorno da Lagoa das Lágrimas.

Mostra a serraria do empresário Frederico Blum.

Imagem do álbum da Família Blum

De 1810 a 1819, o vilarejo se situou no Fortim Atalaia, com as 300 pessoas que integravam a Real Expedição Colonizadora, cuja missão, implementada pelo reinado de dom João VI, era manter sob o domínio de Portugal as terras divididas com a Espanha pelo Tratado de Madri.

Os primeiros 9 anos foram utilizados para enfrentar, capturar e catequizar os índios, povos originais do Terceiro Planalto, e estabelecer os marcos do território, que se estendia por quase a metade da 5ª Comarca de São Paulo (futuro Estado do Paraná), com 175.000 quilômetros quadrados.

A transferência do vilarejo para a Freguesia de Nossa Senhora de Belém deu-se após uma disputa de local entre o  coronel Diogo Pinto de Azevedo Portugal e padre Chagas.  O coronel defendia que a freguesia deveria ser instalada na sesmaria (6.000 alqueires de terra) doada ao padre chagas, na região hoje conhecida como Campo Real (município de Candói); e o padre, por sua vez, achava que Nossa Senhora de Belém seria na sesmaria do coronel Azevedo Portugal, onde, de fato, acabou ficando. Por desgosto, o coronel mudou-se para Castro, sede da comarca a qual pertencia a Freguesia de Nossa Senhora de Belém, e ali morreu anos depois sem mais retornar a Guarapuava.

Padre Chagas foi o responsável  pela montagem da freguesia conforme a orientação do Conde de Linhares na Carta Régia. O povoado se formou ao redor da Praça 9 de Dezembro e da Catedral de Nossa Senhora de Belém. A Carta determinava a largura das ruas, a arquitetura dos casarões, a distribuição espacial urbana (os senhores no primeiro quadro; os agregados, incluindo escravos, nas quadras subsequentes).

Com a implantação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém, os colonizadores organizaram o comércio, arruamento, as edificações, chegando, depois, à elevação em Vila de Nossa Senhora de Belém, à denominação de Guarapuava e à emancipação político-administrativa de Castro. 

A CIDADE EM DOIS TEMPOS

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Área central de Guarapuava em 1966 . Já na época, uma cidade "espalhada", com região periférica extensa e ruas centrais estreitas, herança do estilo colonial implantado pelo Padre Chagas no 1º Plano Diretor  Urbano, em 1819. 

No destaque, a antiga Rodoviária Municipal (atual Terminal Urbano). Chamava atenção o grande relógio que orientava os passageiros na chegada e na partida de Guarapuava.

Fotos: Guarapuava Histórica / Blog do Pato 

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Ano de 1819 lembra o ato formal de fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém 

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Documento original assinado em 1818 por Joaquim de Marçal nunca foi encontrado

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Guarapuava é a gente que faz