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Cooperaliança inaugura um dos frigoríficos mais modernos do Paraná

Empreendimento, localizado em Entre Rios, Guarapuava, nasceu da união de pecuaristas
Sede da Cooperaliança em Entre Rios, Guarapuava
PROJETO MODELO

Cooperaliança: investimento de cerca de R$ 83 milhões, área de mais de 21 mil metros quadrados, no distrito de Entre Rios, um dos mais modernos frigoríficos do Paraná

No começo, era apenas um grupo reduzido de pecuaristas, criadores de gado de Entre Rios e de outras regiões do município de Guarapuava que se reuniam no escritório de contabilidade do empresário rural Edio Sander para acalentar o sonho de construir um frigorífico.


Eram os primeiros passos da Cooperaliança, uma semente que germinou aos poucos, a partir de 1990, foi crescendo com solidez em meio às dificuldades comuns do sistema empresarial e hoje já é uma referência em abatedouro de bovinos no Paraná.



O presidente da Cooperaliança, Edio Sander, um dos pioneiros na criação da Cooperaliança


Nesta quinta-feira (6), a Cooperativa, instalada no distrito de Entre Rios, será oficialmente inaugurada, mostrando a sua representatividade no setor de carnes paranaense e por que se tornou um “case” de sucesso.


Com um investimento financeiro significativo e ampliando o quadro de associados para várias regiões do Estado, a Cooperaliança tem capacidade para abater até 100 mil bovinos por ano. O segredo está no tipo de planta que foi implantado: o conceito obedece às normas mais exigente do mercado e tem espaço para ser ampliado assim que for necessário. Os diretores são todos com larga experiência no setor pecuário, auxiliados por profissionais que conhecem tanto dos mecanismos mercadológicos quanto da administração de um frigorífico. O detalhe é tudo isso acontece tendo por princípio o sistema cooperativista.


DESTAQUE ESTADUAL


Não por acaso, a Cooperaliança é considerada pela imprensa especializada um dos projetos de maior sucesso de verticalização na pecuária.


A Cooperaliança floresceu em meio aos campos de Entre Rios, entre o verde e o amarelo da soja, do milho, cevada, trigo, com ênfase em cortes nobres. Com isso, é uma marca que atende a gostos exigentes, com animais selecionados, acompanhados desde o nascimento até a fase de abate.


Hoje, com 165 pecuaristas filiados, produção de 8.190 t de carne/ano e faturamento superior a R$ 160 milhões, a Cooperaliança conclui seu processo de verticalização. Do bezerro à distribuição de carne, tudo é controlado, com rastreabilidade ponta a ponta.

A nova indústria pode processar tanto bovinos quanto ovinos, tem Serviço de Inspeção Federal (SIF 5084, recém-saído do forno) e capacidade instalada para abater até 345 animais/dia. Os abates de ovinos passaram de 2.977 cabeças, em 2012, para 5.871, em 2019. Nos bovinos, esse número subiu de 9.865 para 29.090, em igual período. Do total abatido em 2020, 20% eram novilhos(as) precoces (19 a 24 meses), 60% superprecoces (15 a 18 meses) e 17% hiperprecoces (até 14 meses).


PRODUTOS DE QUALIDADE


A Cooperaliança processa quase exclusivamente animais dente de leite, em sua maioria cruzados Angus. O índice de classificação no programa de carne certificada da raça é um dos mais altos do País, atingindo 84,59%, em 2019. A projeção da empresa, para 2022, é abater 44.000 bovinos. Enquanto pressiona a idade para baixo, o grupo de Guarapuava procura aumentar o peso médio de abate dos animais. Nos machos, as carcaças passaram de 275 kg (18,3@), em 2010, para 294 kg (19,6@), em 2019, devendo atingir novos patamares nos próximos anos (veja abaixo quadro sobre tabela de premiação). Ainda neste período, o rendimento de carcaça foi de 54,62% para 55,81%.



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O sucesso da Cooperaliança, segundo seu superintendente Fábio Schuler Medeiros, é fruto da busca por qualidade, com garantia de remuneração diferenciada aos produtores. Em 2019, eles receberam R$ 508,48 a mais por animal do que a média de mercado (indicador Scot), um salto de 130% em relação a 2010, que registrou ágio de R$ 211,85/cab. Nesses nove anos, a cooperativa abateu 171.007 animais, gerando para seus filiados uma receita extra de R$ 66,3 milhões. Com o frigorífico próprio, prevê agregação de valor ainda maior.


Outro fato de relevância é que a Cooperaliança se projeta no cenário estadual no momento em que o Paraná conquista o selo internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação, uma marca que levou 50 anos para ser conquistada. É um estímulo para o pecuarista paranaense, que passa a vislumbrar uma fatia maior no mercado fora do Brasil e que remunera mais por produtos de qualidade. Esta é a linguagem que os associados da Cooperaliança mais entendem, aliando competência com resultados calculados, reproduzindo essa “expertise” em produtos diferenciados.



O que chama atenção é o modelo adotado pela Cooperaliança. “Nossos cooperados são agricultores e fazem a integração. As duas atividades se complementam muito bem”, observa o presidente Edio Sander, em declarações prestadas à “Gazeta do Povo”. Ele diz que tenta repetir na pecuária de corte o bem sucedido modelo que o Paraná tem no setor de suínos e aves.


“O que diferencia uma realidade da outra é a organização”, opina Sander. “Enquanto as cadeias do suíno e frango são integradas e com protocolos de produção, na pecuária de corte prevalece o individualismo”, pontua, acrescentando que o pecuarista não tem a cultura do associativismo. Reverter esse quadro é o desafio.


O foco é um produto final diferenciado: 85% da produção são classificados como carne angus, considerada de qualidade superior.

“A qualidade começa pela genética, seguida do manejo alimentar e sanitário”, diz Sander. Até pouco tempo, a Cooperaliança usava um frigorífico terceirizado para o abate. Desde março do ano passado, já tem estrutura própria, com capacidade para 25 mil toneladas/ano e inspeção federal. O anterior contava apenas com a inspeção estadual, o que limitava a venda dentro do Paraná.


“Hoje podemos vender para todo o Brasil e o Mercosul”, diz. O frigorífico já foi estruturado para realizar o abate halal, que segue as regras do islamismo e o próximo passo é buscar a habilitação para exportar para o mercado árabe.

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Ano de 1819 lembra o ato formal de fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém 

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SÉRIE
Guarapuava é a gente que faz 

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Documento original assinado em 1818 por Joaquim de Marçal nunca foi encontrado

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