• Viva Guarapuava

Guarapuava tem tudo para crescer mais na agropecuária



ANTON GORA

Agrônomo e dirigente rural


Quando do início da colonização de Guarapuava e da ocupação dos seus campos nativos, a única atividade que se vislumbrava e se achava possível era a pecuária intensiva. Criaram-se extensas fazendas que começaram a ser ocupadas com o gado daquela época, da raça zebuína.


Por outro lado, vislumbrava-se a extração de madeira, o pinheiro-araucária e a imbuia principalmente, com maior valor e qualidade. O pinheiro por fornecer tábuas e vigotes longos, de bom aproveitamento para a construção de casas. A imbuia como uma excelente madeira para a fabricação de moveis e de mourões para cercar as extensivas fazendas. Ainda havia como opção a extração da erva-mate.


Era uma agropecuária totalmente extrativa e predatória. A nossa madeira era transportada na maioria até São Paulo, metrópole que surgia, mas ia até Brasília, servindo principalmente à construção civil.

Na pecuária extensiva, o principal pasto era o capim denominado de barba de bode, capim sem muito valor nutritivo, aliado a genética dos animais – cada animal precisava até cinco anos, para atingir a idade de abate, e ocupava quase dois alqueires de terra para a sua engorda. Depois do gado pronto, ele era transportado via comitiva até São Paulo para ser comercializado, época dos tropeiros. Foi essa a história resumida que deu origem a nossa agropecuária de hoje.



Com Bento Munhoz da Rocha Neto administrando o Paraná, este governador se preocupou em desenvolver o Estado, principalmente a região de Guarapuava, vislumbrando o cultivo de trigo para os nossos campos, como uma cultura promissora. Soube da vinda de suabios do Danúbio para o Brasil, os quais deveriam, em princípio, colonizar os cerrados de Goiás e ali produzir trigo.


Como o Brasil importava a totalidade do trigo que consumia, seria uma excelente oportunidade de usar os campos guarapuavanos para produzir o cereal.


Assim foi feito, e os suabios, começaram a cultivar o trigo. Os primeiros anos foram um total fracasso, por não se conhecer o clima, as variedades, as práticas culturais. A cultura foi abandonada e a metade dos suábios voltou para a Alemanha ou para os grandes centros do Brasil.


Os poucos suábios, pioneiros de Entre Rios, que aqui ficaram começaram a cultivar o arroz, que deu bem, por ser uma planta mais rústica. Depois, voltou o trigo abrindo caminho para a soja e o milho.

Hoje Guarapuava é uma excelência na produção de grãos. Temos a maior produtividade de milho do mundo, excelentes produtividades de soja, trigo, cevada e aveia que complementam o sistema agrícola. Todo esse sucesso se deve à pesquisa e ao desenvolvimento e aplicação de tecnologia, mas também devido às condições de solo. O solo Guarapuavano, denominado de latossolo bruno alico, pode ser pobre em nutrientes, são ácidos, mas toda essa deficiência pode ser corrigida através da calagem e da adubação. A grande vantagem dos nossos solos se deve a sua estrutura física. Solo bem estruturado, embora raso, consegue armazenar água e é bem aerado, o que proporciona a retenção dos fertilizantes, um bom suprimento de água, o que nos assegura as boas produtividades. Nos meus 50 anos de profissão nunca perdemos safras devido a seca, houve redução de produtividade, mas sem grandes perdas.


Por isso os solos de Guarapuava são hoje os mais valorizados do mundo, são caríssimos e disputados. E todo o sucesso não para por aí. A nossa agropecuária ainda tem muito a crescer, na sua diversificação e na agregação de valores ao que aqui é produzido.

Quase todos os produtos são exportados, como o milho e a soja. Beneficiamos aqui o trigo e a cevada. O milho e a soja poderiam ser transformados em carne, agregando assim valores e gerando empregos. Esse crescimento e desenvolvimento dependem de nossos empresários e políticos, criando políticas públicas, os empresários tomando as iniciativas. Temos empresários e cooperativas em nossa região, com toda a estrutura necessária.


Temos universidades para formar profissionais, mão de obra, gerar conhecimento.


Não falta nada, apenas a iniciativa. Vamos esperar que esse novo ano, depois da pandemia, possa nos motivar a novos empreendimentos, e fazer da região de Guarapuava um polo internacional de agricultura sustentável e empreendedora.

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Ano de 1819 lembra o ato formal de fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém 

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SÉRIE
Guarapuava é a gente que faz 

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Documento original assinado em 1818 por Joaquim de Marçal nunca foi encontrado

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