• MAURÍCIO HENRARD

Guarapuava, um lugar de afeto



MAURÍCIO HENRARD

Arquiteto e Urbanista

Às vezes a memória se perde no tempo. São tantas as maravilhas que os historiadores, empenhados no seu ofício, nos contam desse lugar. Desde um Brasil Colônia - quando ainda a Monarquia regia o território dessa grande nação -, expedições, suas conquistas e o povoamento se deram com a finalidade de integração dessas terras ao domínio português.


Essa ancestralidade cheia de mistérios na ocupação deste espaço me fez lembrar de um dos teóricos que mais admiro: Yi Fu Tuan, geógrafo sino-americano, que traz o seguinte conceito: “O lugar é uma área com significado afetivo para o indivíduo. O conceito de lugar implica no entendimento da relação de temporalidade e significação do espaço em questão.”


Nesse legado de afeto e lutas formou-se essa cidade. Uma pluralidade de culturas e povos fizeram esse povoamento. Cada etnia trouxe sua tradição, seus costumes, sua língua e seus valores. Sei que vieram povos de inúmeras partes; foram ficando e formando essa aldeia globalizada.

Muito antes que McLuhan pensasse em criar esse conceito, o destino já havia dado a esse povo privilegiado a experiência dessa mini aldeia global. Nesses duzentos anos de história fomos cúmplices do tempo e vimos um Brasil em transformação desde os tempos do Imperador até a nossa tão sonhada Democracia na atualidade.


Guarapuava, uma cidadezinha pacata, de gente simpática, onde muitos se conhecem e fazem disso uma convivência harmoniosa, vem se transformando em uma cidade moderna, dinâmica, organizada e que está se atualizando e procurando um futuro que tenha como prioridade o conhecimento, desenvolvimento de pesquisa e criação de tecnologia como fontes de riqueza.


Hoje se proliferam as instituições de ensino e de saúde; temos uma vida tranquila e segura. As oportunidades só crescem e a reforçam como Polo Regional para mais de vinte municípios no entorno. Tudo isso em uma estrutura urbana de fácil locomoção e paisagem privilegiada, sem mencionar o clima agradável predominante na região.


Continuamos com muito afeto por esse lugar.


Como guarapuavano nato, me vejo na obrigação de agradecer. Gratidão pelos nossos antepassados, pelos nossos colonizadores, pelos que tiveram garra para se manter firmes em seus propósitos e lutas, pela transformação desse espaço em um lugar de afeto.

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Ano de 1819 lembra o ato formal de fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém 

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SÉRIE
Guarapuava é a gente que faz 

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Documento original assinado em 1818 por Joaquim de Marçal nunca foi encontrado

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