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Mal Passada – Churrasco em tempos de crise

21 de abril de 2022

“Inflação chega a 10,54% nos últimos 12 meses”

“Arroba do boi gordo bate recordes e máximas históricas”

“Preços do frango e do suíno disparam “

Notícias como essas estão sendo corriqueiras nos jornais e telejornais nos últimos meses e cada vez mais o nosso churrasquinho de final de semana vai, por um lado, aumentando zeros na nota da compra e, por outro, diminuindo os pesos da sacola no carrinho.


Mas, como se virar em tempos de crise sem ficar com a nossa carne da quarta-feira do futebol ou a nossa reunião de família de domingo? Então, vamos ajudá-lo a fazer um churrasco de altíssima qualidade sem gastar tanto.


Lembro com saudades dos churrascos de faculdade, em que fazíamos um “rachide” de R$ 15,00 para os homens e R$ 7,00 para as mulheres (engenharia nos anos 90 tinha disso; precisávamos de um atrativo, senão o churrasco acabava somente em marmanjos) e hoje este valor não compra sequer um saco de carvão.


Digo com propriedade: o churrasco ainda tem salvação, com um pouco de criatividade e conhecimento eu posso garantir que ainda é possível fazer um churrasco com um excelente custo-benefício

O mais importante a ser pensado é que o churrasco é um momento de confraternização, que deve ser esticado por horas, com um bom bate-papo e uma boa resenha. Este momento tem toda uma magia por traz e não é simplesmente servir carne assada. Desde a compra dos insumos, acender o fogo, servir aquela pinguinha enquanto liga uma sofrência.


O churrasco tem todo um ritual, e não pode ser deixada nenhuma etapa de lado. Churrasco é uma arte, sim senhor, e, pelo amor de Deus, não convidem aquela pessoa que chega às 12 h, almoça, e às 13 h vai embora. Então eu nem vou!


Aqui começa a primeira dica importante: abuse das entradas. Estes petiscos não podem faltar em nenhum churrasco. Entre as entradas que sempre foram tradicionais nos churrascos temos a linguicinha e o pão de alho.


Inove, crie e isto irá lhe facilitar a vida na hora de servir a carne principal. Não, eu não estou querendo que você encha seu convidado de pão, mas, sim, que você inove. Experimente um franguinho temperado na mostarda, uma bananinha que é um corte que sai do meio da costela, costeletas suínas com limão, ou mesmo prepare uma kafta bem temperada com um molho de alho com hortelã. Afinal, estamos falando em um churrasco com bom custo-benefício sem perdermos a qualidade, e todas estar entradas possuem um excelente custo.


SUGESTÃO DO MESTRE GERSON ALMEIDA


Quando falamos em carnes para o prato principal, tenha em mente uma coisa: a variedade dos cortes conforme a quantidade de convidados. Minha sugestão é um tipo de carne para cada 6 convidados. Se você quiser inventar moda, como falamos no Paraná, aqui seu dinheiro vai embora. Pois você não tem como saber qual será a carne preferida dos seus convidados e, ou você comprará 6 tipos de carnes diferentes em grandes quantidades que irá sobrar ou então pequenas quantidades de cada carne e todos irão querer experimentar de tudo, te complicando na churrasqueira.


Dito isso, vamos à escolha dos cortes. Se você está pensando em economizar, fuja da picanha e da costela. A picanha hoje é um dos cortes mais caros do mercado, e digo sem medo nenhum: sim uma picanha por menos de R$ 60,00/ kg na atual situação do mercado é uma picanha de média a baixa qualidade, se comparada com o nível de excelência que o Brasil atingiu em produção de carne. Temos cortes muito mais saborosos em conta que irão te surpreender.


E quanto à costela? Ahh!, Gerson, eu não abro mão da costela !! Perfeito, o gosto é o regalo da vida. Mas tenha em mente que, apesar de, aparentemente, a costela ter um preço muito bom no mercado, você precisa do dobro dela em peso porque é o corte que mais perde em rendimento devido à gordura e ossos. Então, meu amigo, a sua costela não custa R$ 24,00/kg e sim R$ 48,00/kg. Lembre-se disso...


Com o alto padrão da nossa carne, eu te desafio a experimentar novos cortes mais em conta e tão saborosos quanto uma picanha. E, acredite, você vai se surpreender

O short rib ou, num bom português, o acém com osso – corte que possui um sabor muito acentuado como a costela, porém a maciez de um contrafilé e você encontra no mercado com valores entre R$ 40,00 e R$ 45,00/kg. A fraldinha, que nunca saiu do cardápio e das churrasqueiras, é outro exemplo de um ótimo custo-benefício, porque o aproveitamento dela é total. Outro corte que pode te surpreender é a raquete (shoulder para os mais gourmetizados de plantão). E, olha … picanha para bater este corte tem que ser muito, mas muito boa. E se você confia e gosta de brincar na churrasqueira, um filé-sete de angus na grelha, que hoje você encontra no mercado, na casa dos seus R$ 30,00/kg. Anos atrás, quando é que você iria se arriscar a comer um file-sete na brasa?


Acredite, a qualidade da nossa carne hoje no Brasil deu um salto nos últimos anos, e você só não aproveita do boi o berro! Pois, do focinho ao rabo, você irá sentir sabores e texturas surpreendentes. Ah! Não esqueça de me convidar para o próximo churrasco, eu prometo que como pouco. Um Grande abraço e até semana que vem.


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Ano de 1819 lembra o ato formal de fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém 

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SÉRIE
Guarapuava é a gente que faz 

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Documento original assinado em 1818 por Joaquim de Marçal nunca foi encontrado

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