• Viva Guarapuava

Sebastião Meira Martins, uma história de vida dedicada à família e a Guarapuava



Entrego a vocês esse novo caminho, que esteve por muitos anos em esquecimento no qual cada um dará o melhor de si, com certeza. Uns deixam aos filhos bens materiais. Eu deixo aos meus um nome. O nome é a segunda vida. É a vida do futuro.” (Sebastião Meira Martins, em texto deixado para seus descendentes)

Seu Meira, como era carinhosamente tratado, nasceu em Guarapuava em 24 de janeiro de 1928. Durante a sua caminhada concretizou tudo o que planejou, principalmente nos seus últimos 25 anos de vida, quando reduziu as suas atividades rurais e começou a se dedicar no campo literário, fazendo pesquisas e editando livros.


Sebastião Meira Martins era um contador de histórias conhecido em toda a cidade e, também, fora dos limites deste município. Escreveu um total de 17 livros, 171 matérias de diversos temas publicadas pelo Jornal Diário de Guarapuava, foi membro fundador da Academia de Letras, Artes e Ciências de Guarapuava (ALAC), na qual ocupou a cadeira número 13 do patrono Cel. Pedro Lustosa de Siqueira. Também foi membro da Comissão de Resgate do Patrimônio Histórico de Guarapuava e ainda criou um Espaço Histórico que denominou “Galpão da Memória”, na sede da Fazenda Capão Bonito de Baixo.


O escritor tinha uma visão de história muito abrangente, independentemente de ser mundial, nacional, estadual ou regional. No entanto, esta última (tudo que se relacionava a Guarapuava, sua gente, seus costumes) era a que mais gostava e divulgava com veemência. Muitas vezes a História de Guarapuava era defendida em reuniões diversas, principalmente para as pessoas que não conheciam a história da região, até como uma forma de “bairrismo”. Outras bandeiras defendidas pelo ilustre guarapuavano foram as famílias, com suas genealogias e brasões, bem como a história da sua fazenda, Capão Bonito de Baixo, e do distrito de Entre Rios. Este último que foi o tema de seu primeiro livro, “Pioneiros do Vale do Entre Rios – 1818-1911”.


Sebastião Meira Martins tinha uma visão de mundo muito abrangente. Mas a sua predileção era pesquisar e escrever sobre Guarapuava, sua história, sua gente. Foi o que motivou sua verve literária a vida toda

Do seu casamento de 68 anos com D. Balbina, descenderam 5 filhos, 13 netos, 15 bisnetos e 1 trineta. E a saga dos Siqueira Côrtes, aliando sua memória privilegiada às pesquisas bibliográficas, deu ideia ao seu segundo livro, “Guarapuava, Nossa Gente e Suas Origens”.


Em Guarapuava as pesquisas foram feitas nas seguintes genealogias: “Nobiliarquia Paulistana”; “História Genealógica”, de DR. Luiz G. da Silva Leme; “Genealogia Paranaense”, de Francisco Negrão.

Para o pesquisador e escritor Sebastião Meira Martins, conhecer suas origens e encontrar sua própria identidade constituem o suporte fundamental para que um povo possa edificar um futuro promissor.



O escritor foi um dos fundadores da Academia de Letras, Artes e Ciências de Guarapuava (ALAC), ocupando a cadeira número 13 do patrono Cel. Pedro Lustosa de Siqueira

O terceiro livro lançado, “Soberbas fazendas do nosso rincão”, conta desde a Fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém dos Campos de Guarapuava, em 9 de dezembro de 1819, até a distribuição das “Sesmarias “aos fazendeiros em 1821. O autor, movido pelo entusiasmo inerente do seu talento de pesquisador, incansável, organizou este livro ilustrando-o com fotografias das antigas fazendas do município de Guarapuava e dos seus proprietários, vistas hoje como relíquias. O livro relata também sobre o “Cacique Guairacá”, de mil lendas e fantasias, o “Lobo dos campos e das águas”, e suas batalhas travadas com seus inimigos invasores, com seu grito vibrante brado de guerra, “Co ivi oguerecô iará”, que, traduzido do tupy-guarani para o português, significa “Esta terra tem dono’”.


Sebastião Meira Martins faleceu em 21 de março de 2016, aos seus 88 anos. Muito lúcido, deixou um trabalho literário que está registrado para futuras gerações. Uma mensagem foi deixada aos seus filhos, netos, bisnetos e trineta e um dos seus livros: “Entrego a vocês esse novo caminho, que esteve por muitos anos em esquecimento no qual cada um dará o melhor de si, com certeza. Uns deixam aos filhos bens materiais. Eu deixo aos meus um nome. O nome é a segunda vida. É a vida do futuro.”




mapa antigo gp.jpg

Ano de 1819 lembra o ato formal de fundação da Freguesia de Nossa Senhora de Belém 

gp hoje.jpg

SÉRIE
Guarapuava é a gente que faz 

tropeiros.jpg

Documento original assinado em 1818 por Joaquim de Marçal nunca foi encontrado

DEIXE SUA OPINIÃO

Obrigado!